segunda-feira, 5 de março de 2018

Porque há uma guerra na Siria






Alguns fatos:

1. O que está acontecendo em Ghouta Oriental?


No último mês, o governo sírio e seus aliados intensificaram as ofensicas contra territórios controlados por grupos islâmicos e jihadistas, incluindo Ghouta Oriental, que é controlada pela oposição desde 2012.

O bastião rebelde perto de Damasco sofreu ao menos cinco dias consecutivos de bombardeios, que deixaram mais de 560 civis mortos.

Segundo a ONU, impressionantes 76% das residências de Ghouta Oriental foram devastadas, e boa parte dos 400 mil moradores do enclave se mudou para abrigos subterrâneos.

No domingo, uma criança morreu e outras 13 pessoas apresentaram sintomas - como dificuldades em respirar e tonturas - consistentes com os de um ataque de gás cloro, algo que o governo nega.
Não se trata da primeira acusação do tipo. Em agosto de 2013, o governo sírio foi acusado por potências ocidentais de disparar foguetes de sarin (composto químico que age no sistema nervoso) em Ghouta, Damasco, matando centenas de pessoas.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, negou a acusação e culpou os rebeldes, mas concordou em destruir o arsenal químico da Síria. Apesar disso, a Organização pela Proibição de Armas Químicas continuou a reportar o uso de produtos químicos tóxicos em ataques no país.
A região vive também uma crise humanitária. Há restrição à entrada de ajuda humanitária, e produtos alimentícios básicos, como pão e arroz, estão sob forte pressão inflacionária. A desnutrição infantil alcançou níveis sem precedentes: 11,9% das crianças com menos de cinco anos estão subnutridas.

2. Quais os rumos da guerra?


A guerra civil, que se estende há quase sete anos, se intensificou no último mês, em uma tentativa de Damasco e seus aliados de sufocarem os grupos de oposição. Estima-se que hoje jihadistas controlem apenas 3% do território sírio.

A avaliação de alguns analistas é de que a essência do conflito - o levante contra Assad que evoluiu para uma guerra civil - talvez esteja perto do fim, uma vez que os rebeldes perderam território e apoio externo. E o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico, que chegou a controlar parte importante da Síria e do Iraque, também foi derrotado na maioria dos locais, ainda que não totalmente eliminados.

No entanto, além do esgotamento por parte das próprias tropas governamentais, há ainda diferentes frentes de batalha em curso na Síria.

Um exemplo é Afrin, no noroeste do país, que sofreu intensos bombardeios turcos em janeiro - o objetivo da Turquia é conter a minoria curda do local. E, na fronteira sudoeste, Israel tem enfrentado diretamente forças iranianas e sírias, em mais uma evidência de como o conflito sírio evoluiu para uma "guerra por procuração" entre atores internacionais adversários entre si.

3. Qual era a situação na Síria antes da guerra - e o que levou ao conflito?


Antes do início do conflito, em 2011, muitos sírios se queixavam de um alto nível de desemprego, corrupção em larga escala, falta de liberdade política e repressão pelo governo Bashar al-Assad - que havia sucedido seu pai, Hafez, em 2000.

Em março de 2011, adolescentes que haviam pintado mensagens revolucionárias no muro de uma escola na cidade de Deraa, no sul do país, foram presos e torturados pelas forças de segurança.

O fato provocou protestos por mais liberdades no país, inspirados na Primavera Árabe - manifestações populares que naquele momento se estendiam pelos países árabes.

Quando as forças de segurança sírias abriram fogo contra os ativistas - matando vários deles -, as tensões se elevaram e mais gente saiu às ruas. Os manifestantes pediam a saída de Assad.

A resposta do governo foi sufocar as divergências, o que reforçou a determinação dos manifestantes. No fim de julho de 2011, centenas de milhares saíram às ruas em todo o país exigindo a saída de Assad.


4. Como começou a guerra civil?


À medida que os levantes da oposição aumentavam, a resposta violenta do regime se intensificava. Simpatizantes do grupo antigoverno começaram a pegar em armas - primeiro para se defender e depois para expulsar as forças de segurança de suas regiões.

Assad prometeu "esmagar" o que chamou de "terrorismo apoiado por estrangeiros" e restaurar o controle do Estado.

A violência rapidamente aumentou no país: grupos rebeldes se reuniram em centenas de brigadas para combater as forças oficiais e retomar o controle das cidades e vilarejos.

Em 2012, os enfrentamentos chegaram à capital, Damasco, e à segunda cidade do país, Aleppo.

O conflito já havia, então, se transformado em mais que uma batalha entre aqueles que apoiavam Assad e os que se opunham a ele - adquiriu contornos de guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauítas, o braço do Islamismo a que pertence o presidente.
Isso arrastou as potências regionais e internacionais para o conflito, conferindo-lhe outra dimensão.

Em junho de 2013, as Nações Unidas informaram que o saldo de mortos já chegava a 90 mil pessoas.


5. Quem lutou contra quem?


A rebelião armada oposicionista mudou significativamente ao longo do conflito. Uma oposição moderada secular foi superada por radicais e jihadistas - partidários da "guerra santa" islâmica. Entre eles estão o autointitulado Estado Islâmico e a Frente Nusra, afiliada à al-Qaeda.

Os combatentes do EI - cujas táticas brutais chocaram o mundo - criaram uma "guerra dentro da guerra", enfrentando tanto os rebeldes da oposição moderada síria quanto os jihadistas da Frente Nusra. Hoje praticamente subjulgados em termos territoriais, os combatentes do EI continuam, no entanto, a promover ataques mais esporádicos.

Também combatem o Exército curdo, um dos grupos que os Estados Unidos chegaram a apoiar no norte da Síria, com bombardeios aéreos.

Já a Rússia lançou em 2015 uma campanha aérea com o fim de "estabilizar" o governo sírio após uma série de derrotas para a oposição.

A intervenção russa possibilitou vitórias significativas das forças sírias. A maior delas foi a retomada da cidade de Aleppo, um dos principais redutos dos grupos de oposição, em dezembro de 2016.


6. Por que a guerra está durando tanto?


Um fator-chave é a intervenção de potências regionais e internacionais.

O apoio militar, financeiro e político externo tanto para o governo quanto para a oposição tem contribuído diretamente para a continuidade e intensificação dos enfrentamentos, e transformado a Síria em campo para uma guerra indireta - ou "guerra por procuração".
A intervenção externa também é responsabilizada por fomentar o sectarismo no que costumava ser um Estado até então secular (imparcial em relação às questões religiosas).

As divisões entre a maioria sunita e a minoria alauita no poder alimentou atrocidades de ambas as partes, não apenas causando a perda de vidas, mas a destruição de comunidades, afastando a esperança de uma solução pacífica.


A escalada de terror causada por grupos jihadistas como o EI - que aproveitou a fragilidade do país para tomar o controle de vastas partes de território no norte e leste - acrescentou outra dimensão ao conflito.

7 Qual é o impacto da guerra?


O Centro Sírio para Pesquisa de Políticas calcula que o conflito já tenha causado a morte de mais de 470 mil pessoas, ainda que não haja cifras totalmente confiáveis a respeito.

Segundo a ONU, mais de 5 milhões de pessoas fugiram do país, em sua maioria mulheres e crianças, e metade da população foi de alguma forma deslocada pela guerra.

O êxodo de refugiados, um dos maiores da história recente, colocou sob pressão os países vizinhos - Líbano, Jordânia e Turquia.

Cerca de 10% deles buscam asilo na Europa, provocando divisões entre os países do bloco europeu sobre como dividir essas responsabilidades.
E as estatísticas terríveis não param por aí.

A ONU disse que são necessários US$ 3,2 bilhões para prover ajuda humanitária a 13,5 milhões de pessoas no país - incluindo 6 milhões de crianças.

Além disso, estimativas do ano passado apontavam que 70% da população não tinha acesso a água potável, uma em cada três pessoas não conseguia suprir as necessidades alimentares básicas, mais de 2 milhões de crianças não iam à escola e uma em cada cinco indivíduos vivia na pobreza.

As partes em conflito têm complicado ainda mais a situação ao recusar o acesso das agências humanitárias aos necessitados.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Mavambo


História de Mavambo



Esta história de Mavambo, que também conhecemos como Nzila, conta que ele era um ser muito independente em relação aos outros Minkisi pelo fato de ser o primogênito e ter aprendido tudo sobre o mundo com o pai dele, com o criador.
Com a chegada dos outros irmãos, dos outros Minkisi, e dos seres que habitariam o mundo, ele se sentia um pouco frustrado de ter que aprender novamente as lições já repassadas por Nzambi Umpungu. Autônomo e mandão, ele solicitou do criador a possibilidade de criar um continente onde ele pudesse reinar. Nzambi concedeu seu pedido e ele criou seu reino achando que isso resolveria os seus problemas. No entanto ele se sentiu só uma vez que nesse universo não habitava ninguém e ele começou a criar seres a partir de sua própria energia, do seu próprio sangue que deixava pingar no chão e dele brotavam criaturas.
Com o passar do tempo ele povoou a terra com uma infinidade de seres que, não tendo a possibilidade de se alimentar de outra forma, pois em seu reino ainda não havia plantas e minerais, recorriam à energia de Mavambo para continuar a se desenvolver, se alimentar. Isso foi o deixando cada vez mais fraco, pois ele como o criador desses seres, precisava continuar doando sua própria força para que eles crescessem.
Não tendo mais forças para doar, Mavambo recorreu ao pai para saber o que deveria fazer. Nzambi lhe disse que pelo fato de ele ter criado os seres a partir de sua própria força vital, de seu sangue, ele deveria fazer um trato com eles para que lhe ofertassem energia.
Ao retornar ao seu reino, Mavambo criou uma série de animais e plantas para que eles servissem aos seres como ofertório para repor a energia que gastou na criação. É por isso que no Candomblé nós utilizamos animais, plantas e comidas como alimento aos Minkisi e à nossa própria energia.
Sagaz como ele próprio, e antevendo que ao criar esses seres os homens passariam a utilizar dele para repor sua própria energia, esquecendo-se daquele que os criou, Mavambo ordenou que o primeiro Kudiá (comida) do dia deveria ser ofertado a ele. No entanto, como grande articulador que é ele não deixou que os seres soubessem que aquela energia contida no ofertório era pra repor a sua própria.
Fazendo uma correspondência com a história viva e praticada diariamente no Candomblé, é por esse motivo que sempre, em qualquer atividade ou oferenda que fazemos em nossos ritos, é ele quem recebe primeiro o alimento, a energia. Essa ação é necessária uma vez que, sendo ele o conhecedor de todos os caminhos e segredos do mundo, o grande mago, ele precisa de muita energia para resolver nossos problemas, achar soluções e articular com outros seres as condições necessárias para que nossas contendas se resolvam.
A história do ser humano enquanto Nkisi tem muita correspondência com a nossa história atual. O que eu entendo é que quando damos uma comida à Nzila, faz pra ele um ofertório seja de nível vegetal, animal, mineral ou mesmo de luz, é para alimentá-lo, e a nossa própria energia, para que ele aja em nosso favor. Nós damos à luz para que ele também possa nos trazer a luz.
No entanto, é preciso que saibamos recorrer a ele sabendo exatamente aquilo que estamos pedindo. Mavambo, pelo fato de ter sido muito independente e ter aprendido seus limites a partir de sua própria experiência, nos empresta sua energia, mas divide conosco a responsabilidade pelos nossos desejos e vontades. Ele quer que sejamos humildes quando recorremos a ele nos ensinando ter responsabilidade pelos nossos desejos e agüentando a responsabilidade sobre eles.


Mavambo (Exú)







Filiação: Lembarenganga e Kayaia (Oxalá Velho e Yemanjá)

Elemento principal: Fogo

Domínio: Encruzilhadas e porteiras

Cores: Preto e vermelho

Saudação: Larôie! (Salve)

Dia da Semana: Segunda-feira

Número: 1

Comida: Farofa de dendê, farofa de cachaça, farofa de mel, bifes mal passados, entre outros.

Vela: Vermelha e preta (Bicolor)




Sem dúvida o N’kisi (Orixá) mais comentado e tido como o mais controvertido dos cultos afro-brasileiros.




É chamado de mensageiro entre o astral e a terra, ele traduz para a linguagem dos homens a linguagem dos Mikisi (Orixás), os quais não existe contato direto, é o guardião entre o plano material e espiritual, diga-se de passagem é o único que tem carta-branca para transitar em todos os planos que existe nos mundos visíveis e invisíveis.




Mavambo (Exú) está presente em todos os elementos da natureza: terra, água, fogo e ar e em suas combinações.






Aluvaiá





Mavile, mavile, mavile mavambo
Mavile, mavile, mavile mavambo
E kompensu e, a rá rá
E kompensu á.
E mavile, e mavile, mavile maviletango
Mavile, mavile maviletango
E sissa, sissa é sissa lukaia
Sissa, sissa é sissa lukaia
Sissa eu ananguê



Angorô

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